"Na viagem dou boleia ao senhor Martins, velho mineiro nas minas do Pejão e meu companheiro de trabalho vai para 15 anos. No percurso, deixa cair o desabafo do arrependimento de ter dado uma trottinette ao seu neto, responsável pelos arranhões que uma queda lhe causou no dia anterior.
Chegado ao balneário e enquanto mudava de roupa, deliciei-me (e os meus companheiros também), com a música que o “Triste” executava com o seu accordéon, rotina a que há muito nos habituara. Esta era uma alegre preparação para mais um dia no fundo da mina, onde vários companheiros aproveitavam para dar largas aos seus dotes de dançarinos, dos quais se destacavam o “Doutor”, o” “Eiffel”, o “Preto” e o “Carcamano”, que imitavam muito bem os cossacos bolcheviques.
No final do dia de trabalho (duro como é o de mineiro) e depois de um banho retemperador, desloquei-me à pagadoria a fim de receber o meu cachet mensal. Dirigi-me ao guichet que estava disponível e fui atendido pelo senhor Peixoto, empregado de escritório, com 50 e muitos invernos em cima das costas, bonacheirão. Depois de eu ter conferido o dinheiro e assinado o recibo, contou uma anedota (já era costume), que segundo ele “vinha dos confins do inferno”. Um bom homem este senhor Peixoto.
Despedi-me dele e de todos os presentes com o cordial cumprimento entre mineiros:
-Até sempre, companheiros!
De repente, a minha memória trouxe-me ao ano de 2011.”
Manuel Rodrigues
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