quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Disse evidências de competências em Língua Estrangeira? (Parte I)

Sem darmos por isso, eles aí estão, os galicismos, palavras da língua francesa que utilizamos na nossa comunicação quotidiana, de forma natural, sem nos apercebermos que elas não fazem parte da nossa língua materna.
Eu próprio me admiro de ao longo dos anos não ter notado esta intromissão ou, pelo menos, com esta dimensão. Reconheço porém que elas contribuíram positivamente para a minha interacção com os que me rodeiam e com o mundo.
Concentrado nesta meditação, vislumbro nas minhas memórias um determinado dia do mês de Março da década de 80 do século passado.

"Tocou o despertador. A chinfrineira do costume a que há muito os meus ouvidos se habituaram mas que o cérebro já começava a não tolerar.
Acordei de mau humor, para o qual contribuiu supostamente a mayonnaise que ao jantar acompanhou a salada. Para ajudar ao desconforto, colaborou também o caniche do meu vizinho mais chegado que latiu toda a noite, sabe-se lá porquê.
Levanto-me e corro o estore na esperança de que o sol me trouxesse algum ânimo. A estrela rainha estava escondida e o céu estava enevoado e convidava ao agasalho.
Já na toilette, a água fresca no rosto ajudava a recuperar o ânimo. Faço a barba com a gilette porque me deixa a pele macia (o que não acontece com a máquina de barbear) e ajuda a recuperar a boa disposição.
Reconfortado o estômago com um pão com manteiga e uma tigela de leite sem açúcar, estou pronto para enfrentar mais um dia de trabalho.
Visto o meu anorak e desço à garagem. Antes de rodar a chave na ignição, tiro de cima do capot o Nero, um grande e peludo gato preto, que há meia dúzia de anos é da “casa” e faz da parte dianteira do meu carro a sua cama preferida.”

Manuel Rodrigues

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