Eles perderam o medo de estudar e lutaram por não se acomodar
"O meu filho é engenheiro"
Rogério Paulo já concluiu o 9.º ano de escolaridade e pretende continuar a estudar, aproveitando a Iniciativa Novas Oportunidades. "É de louvar que haja iniciativas como esta, que possibilita às pessoas voltarem a estudar e a valorizarem-se", refere o funcionário da Casa Pia de Lisboa, de 47 anos, que, no momento de receber o respectivo diploma, não esqueceu quem sempre o incentivou a voltar aos estudos. "A minha mulher e o meu filho incentivaram-me sempre. O meu filho é engenheiro".
Rufina ganhou confiança
Quando os colegas de Rufina Carmo, funcionária da Refer, de 57 anos, souberam da sua decisão de voltar a estudar, aplaudiram a ideia e de imediato começaram a incentivá-la para concluir o 9.º ano de escolaridade. Rufina, que entendeu não ter idade para se acomodar, ainda receou, de princípio, não ter andamento para acompanhar as matérias leccionadas. "De início foi complicado. Mas com o passar do tempo ganhei confiança, fui-me habituando e, felizmente, comecei a perceber tudo o que me era pedido. Felizmente tudo acabou bem e com bom aproveitamento".
O Exército manda estudar
Ricardo Santos, de 27 anos, é cabo do Exército. Está colocado, com a especialidade de condutor, na Brigada de Intervenção, em Coimbra, e sabe que o contrato que tem com o Estado não é opção de futuro. "Há que aproveitar o protocolo que o Exército tem e aproveitar as oportunidades", referiu ontem o militar, pouco depois de ter recebido o diploma que agora lhe confere o 12.º ano. "A vida é difícil, mas com mais habilitações e com o apoio da família há sempre mais hipóteses", refere. O futuro também já está a ser programado e, se tudo correr como prevê, deverá começar em breve os estudos universitários.
Obrigada a voltar à escola
Adelaide Costa tem 48 anos e exerce funções administrativas na Direcção- Geral dos Serviços Prisionais. Tem, no entanto, o sonho de vir a trabalhar numa clínica veterinária. Mas para que tal pudesse ser uma realidade, tinha que concluir o 12.º ano de escolaridade. Há anos, quando deixou de estudar, deixou para trás a malfadada cadeira de Matemática. Desta vez encheu-se de coragem - "Voltar a estudar foi algo que me custou, porque me obrigou a mexer com o passado" - e arrumou de vez com a disciplina atrasada. "Cumpri o meu objectivo. Avancei para a qualificação e consegui", diz, orgulhosa e consciente das "inúmeras vantagens" proporcionadas pelo Novas Oportunidades.
Público, 7-7-10
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